Desemprego atinge pior nível dos últimos três anos, segundo IBGE

26 ago, 2015 Notícias

Foto: INSS/Press

O desemprego vem assombrando as famílias e atingiu o pior nível dos últimos três anos.
É o que mostrou a pesquisa mais completa do IBGE, feita em 3,5 mil municípios.

O desemprego vem subindo desde o ano passado: No segundo trimestre de 2014, estava em 6,8%, foi para 7,9% no primeiro trimestre desse ano e atingiu 8,3% no segundo trimestre desse ano. É o maior nível apurado nessa pesquisa do IBGE.

Em quatro estados – Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte e Amapá – o desemprego já ultrapassou os dois dígitos e São Paulo está acima da média nacional, ou seja, tem mais gente procurando emprego. São jovens que voltaram ao mercado de trabalho e também aposentados que estão tentando, no meio dessa crise, reforçar a renda da família.

Informalidade

O problema é que a qualidade do emprego piorou. Na falta da garantia de carteira assinada, mais gente está correndo para a informalidade: está todo mundo fazendo bico e se reinventando, cada um tentando fazer seu próprio negócio para se salvar.

Um número importante: entre abril e junho, quase 1 milhão de trabalhadores começaram a trabalhar por conta própria em todo o país. Muitos partiram para esse caminho alternativo, porque encontraram as portas fechadas em empresas, indústrias.

Chocolate, bolo no pote ou na casquinha. Hoje, o Wesley Souza vive dessas delícias, que ele vende na porta de escolas e faculdades em Brasília. Como ele já fazia bolos de aniversário para a família, lembrou deles quando foi demitido de uma empresa de seguros há quatro meses.

Está dando tudo certo, mas essa mudança não foi fácil. “No primeiro momento um desespero total, porque você está acostumado à uma rotina de trabalho do seu dia a dia e principalmente à uma programação financeira. E foi isso que me deixou mais desestabilizado”, diz o confeiteiro.

Wesley trocou o emprego com carteira assinada pelo trabalho por conta própria em uma época em que muita gente fez a mesma coisa. Entre abril e junho, quase 1 milhão de trabalhadores foram para a informalidade em todo o país, para tentar uma nova profissão ou simplesmente para pagar as contas.

É só dar uma voltinha nos centros das cidades para ver a quantidade de gente trabalhando como ambulante, tentando vender de tudo. O IBGE diz que ao todo, 22 milhões de pessoas trabalham na informalidade, Entre abril e junho do ano passado, eram 21 milhões, um crescimento de quase 5%.

A crise econômica interrompeu o movimento de alta na formalização do trabalho, que vinha forte até o ano passado. No segundo trimestre deste ano, o número de trabalhadores com carteira assinada caiu 2,6% em relação aos mesmos meses de 2014.

E também tem gente que está trabalhando, mas começou a fazer um bico para aumentar a renda. Em João Pessoa, na Paraíba, um professor de história está vendendo dindin, sacolé ou geladinho.

Já o Antônio, que é publicitário, e a mulher dele, Janaína, que tem uma creche, decidiram adaptar uma bicicleta para vender brownie pela cidade. “Aqui nós trabalhamos com brownie gourmet e atendendo o público tanto de rede social, quanto o pessoal que está transitando pela via para provar os nossos brownies”, afirma Antônio.

O professor de economia Júlio Miragaya diz que o crescimento da informalidade em tempos de crise é natural, mas lembra que infelizmente poucos conseguem transformar o bico em uma nova profissão. “Essa pessoa não tem experiência, não sabe como conduzir aquela atividade e a chance dela fracassar é muito grande. E para que isso tenha uma chance maior de sucesso é fundamental que ela procure se capacitar para tanto”, explica o vice-presidente do Conselho Federal de Economia.

Patrícia Maciel conseguiu. Ela trabalhava em um banco, há um ano e meio montou uma pequena clínica de estética, em casa mesmo. Diz que no começo era difícil administrar as contas, separar o dinheiro dela e o do negócio, mas aprendeu e está feliz: “Já conquistei minha casa, já conquistei meu carro e aí eu estou só querendo conquistar mais e mais e mais”, conta a esteticista.

Essa decisão de partir para o mercado informal é por falta de opção mesmo, porque quem está no mercado formal tem todas aquelas vantagens, como FGTS, PIS, férias. Essa tendência de aumento da informalidade só deve mudar quando a economia melhorar.

Fonte: G1

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